Em Nihonjin, de Oscar Nakasato, tive a confirmação do que suspeitei lendo Ojiichan: fui completamente conquistada pela escrita do autor!
Em Nihonjin, acompanhamos uma família através dos anos. Desde a chegada de quem viria a ser o patriarca e sua esposa ao Brasil no início do século passado, em busca de uma vida melhor, trabalhando em uma fazenda.
Por se tratar de um casal imigrante, o sentimento de não pertencimento e inadequação acompanha toda a obra. Hideo Inabata durante toda a sua vida sente-se estrangeiro, com dificuldade em aprender o português, ao mesmo tempo que nutre um sentimento de orgulho por sua terra natal, o Japão, passando esse orgulho a seus filhos.
Aqui, tive um misto de sentimentos, ao mesmo tempo que achei bonito os esforços de Hideo para preservar sua cultura, passando-a para os filhos, me incomodou o tanto que ele se fechava para o novo, o que acabava por dificultar a interação de sua esposa e filhos com vizinhos e colegas de escola.
Outro ponto sobre o sentimento de inadequação, é com os filhos de Hideo, por terem nascido no Brasil, teoricamente deveriam ser considerados brasileiros, mas as pessoas ao redor não os viam dessa forma, enxergam os traços de suas fisionomias e viam japoneses. O pai os via como japoneses e não aceitava quando alguém dizia que os filhos eram brasileiros, ou quando os filhos demonstravam algum interesse pelos costumes daqui. E, com isso, mais uma vez o sentimento do que é ser estrangeiro fica latente.
É um livro cheio de nuances, com personagens tridimensionais. Ora me via desgostosa com Hideo, ora entendendo o lado dele e me compadecendo de suas atitudes.
Aqui, me concentrei mais em Hideo, mas as mulheres tem papel importante na trama, assim como os filhos e netos. Cada um com suas particularidades vão preenchendo as páginas.
Algo que me tocou em Nihonjin e em Ojiichan é a sensibilidade do autor ao retratar o dia-a-dia desses personagens, desde o momento mais comum, até aquele que causa desconforto no leitor.
Obrigada, @fosforoeditora pelo envio e por me apresentar mais um autor que irei acompanhar.
