Quando 100% do Paul Pope chegou aqui em casa, já fiquei curiosíssima para ler! Uma HQ de ficção científica que inicia com uma morte misteriosa. Sinal de ser meu tipo de história!
Mas, conforme fui avançando as páginas, minhas expectativas iam sendo superadas e encontrei mais do que esperava inicialmente!
Em um mundo em que as pessoas expõem cada vez mais suas vidas e seus corpos em todo local, o que poderia atrair a atenção das pessoas em um sentido mais sexual? Conhecer as entranhas. Em 100% os personagens trabalham em uma boate em que o grande show é feito por dançarinas que são conectadas a uma substância que faz com que seu interior seja mostrado enquanto fazem suas apresentações. Os espectadores podem ver a digestão acontecendo, o balançar dos órgãos e tudo o mais que acontece dentro do corpo enquanto as mulheres ficam de ponta cabeça, dançando com pouca roupa.
Quando tudo que podia ser mostrado já foi visto, algo novo precisa ser explorado para despertar o desejo. E Daisy é uma dessas dançarinas, novata na boate, com um passado confuso, aos poucos o leitor conhece sua história, conforme se envolve com John. John é o ajudante de cozinha, que detesta seu trabalho, mas o faz pois é necessário para pagar as contas e sobreviver. Passa as noites subindo e descendo escadas, recolhendo pratos, lavando copos e carregando engradados de bebidas.
Strel, a gerente, se vê envolta com alguém do passado retornando e abalando o que ela tem como certo em sua vida e sua rotina. E Kim, garçonete da boate, é uma mulher que se vê abalada por ter dado de cara com a violência tão perto de seu trabalho, com medo pela própria vida e procurando formas de se proteger.
A trama é composta por esses 4 personagens principais, com suas diferenças, que se veem conectados por um “personagem” em comum: a boate. O bonito em 100% é que, sim, é uma trama de ficção científica, mas é mais do que isso, tem amizade, tem romance, tem sororidade e tem críticas à sociedade. Tudo isso com a arte linda de Pope. Todo em preto e branco, trabalhando o alto contraste e o excesso de informações, tudo contribui para a atmosfera da boate e da cidade, cheia de luzes, cheia de tudo acontecendo ao mesmo tempo. Eu ainda não conhecia o trabalho do autor e fiquei curiosa pelos outros títulos que ele tem pela Editora Mino, ainda mais após ler a entrevista feita por Pedro Cobiaco, publicada como extra na edição. Gostei muito de conhecer mais sobre os bastidores da obra, processo criativo do Paul e visões sobre a vida e arte como um todo.
Sobre a edição, o trabalho que a Mino fez está incrível! Tem tradução de Dandara Palankof, edição e preparação de texto de Janaína de Luna, revisão de Audaci Jr., projeto gráfico original por Pedro Cobiaco e Caio Os, diagramação e retoques por Anjizu e Caio Os e é letreirado à mão por Eric Baket.
Obrigada, Mino pelo envio!
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