Mistérios em Paris

Como fã de Hercule Poirot e Sherlock Holmes, eu tinha um desvio de caráter: não tinha lido nenhuma história estrelada pelo chevalier Auguste Dupin, personagem de Edgar Allan Poe, que de certa forma inspirou Agatha Christie e Arthur Conan Doyle na criação de seus tão célebres personagens.

Em Mistérios em Paris, de Edgar Allan Poe, estão reunidos três casos estrelados pelo Inspetor Dupin: Assassinatos na Rua Morgue, O mistério de Marie Rogêt e A Carta Roubada.

Gostei do primeiro. Embora tenha achado o narrador um tanto pomposo, simpatizei com o Dupin. O que me pegou nesse conto foi o tanto de sangue e violência contido nas páginas! Por estar acostumada com romances policiais mais, digamos, assépticos, como é o caso dos da Agatha Christie, em que não há uma descrição tão detalhada do crime ou do estado dos corpos, me causou um choque inicial. Achei interessante que num primeiro momento parece que a trama vai se encaminhar pra um lado sobrenatural e, de repente, surge uma explicação plausível.

Já o segundo conto não conseguiu captar minha atenção. Nele, o autor se baseia em um crime real e vai romanceando a partir de notícias nos jornais. E ele trabalha a questão das reportagens no conto, para mostrar a linha de raciocínio de Dupin, mas achei repetitivo, pois primeiro mostrava a reportagem e depois voltava nelas para uma análise minuciosa de cada pormenor. Me perdeu em algum momento no caminho.

O terceiro foi meu favorito. Tive a sensação de já o ter lido, mas não lembro se em alguma coletânea ou adaptação para outro formato. Traz intrigas políticas e um excelente uso da percepção e dedução por parte de Dupin.

Nos três, tive um pouco a sensação de Dupin ser um pouco coadjuvante, entrando em cena já mais próximo do fim. Acho que essa sensação ficou mais evidenciada pela pompa do narrador, que se dá mais importância do que deveria hehehe. Ele é um amigo de Dupin, moram juntos, e se acha mais inteligente do que de fato é. (Hastings e Watson terão bebido dessa fonte?)

Gostaria de ler mais contos com o personagem, mas infelizmente o autor escreveu apenas esses três. Gostei de conhecer esse lado mais “leve” do autor, já que tinha lido apenas suas histórias mais macabras.

Mistérios em Paris, de Edgar Allan Poe, tem tradução de William Lagos e Bianca Pasqualini e é publicado pela @lepmeditores.

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Danielle

Apaixonada por livros e viciada em chimarrão.

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