Fui completamente influenciada pelo grupo de parceiros da @fosforoeditora a ler Kentukis, da Samanta Schweblin. E que bom que o pessoal panfleteou mesmo esse livro, porque adorei!
Pensa em tamagotchis levados a um outro patamar!
Em Kentukis, as vitrines das lojas estão tomadas por animaizinhos de pelúcia robotizados. Eles podem se mover, interagir com seu “amo” e ver tudo que acontece ao seu redor. Mas não são seres autômatos e, sim, controlados por outra pessoa, a quilômetros de distância.
Funciona assim: a pessoa escolhe se quer “ter” um Kentuki e compra a caixa com o bicho de pelúcia e um código, ou “ser” e compra um código. Depois de ativar os códigos, é feita uma conexão aleatória entre um amo e um Kentuki e tem-se início a convivência dos dois.
E porque eu comparei com tamagotchis? Pois esse bichinho virtual precisa ser mantido vivo, mas os dois lados precisam fazer sua parte para isso, mantendo uma frequência em suas conexões, acesso a bateria para recarregá-los e interesse um no outro.
A autora dividiu os capítulos de forma alternada, em que cada um mostra o ponto de vista de um amo ou kentuki, mostrando ao leitor um pouco da sensação de aleatoriedade das conexões. E isso foi um dos pontos que gostei no livro! Ele tem meio que uma estrutura de contos, mas nunca sabia que personagens iria encontrar a seguir ou se voltaria a reencontrar algum.
Samanta escreveu um livro que reverbera no leitor, daqueles que nossa relação não termina quando concluímos a última página. Levanta questões sobre o consumismo, sobre o querer fazer parte de uma trend, de buscar afeto em um local desconhecido e sobre o perigo de deixar um completo estranho entrar em sua casa, mesmo que de forma virtual. Ou mesmo, de deixar um completo estranho se mostrar para você.
Obrigada, @fosforoeditora, pelo envio e por me apresentar mais uma autora para acompanhar!
Kentukis, de Samanta Schweblin, foi publicado pela Fósforo Editora em 2021 e tem tradução de Livia Deorsola.
📸: Tentei replicar a visão de como seria se tivesse um kentuki me observando. E não, eu não gostaria de “ter” um kentuki, acho que “ser” seria menos desconfortável. Mas acho que preferiria ficar de fora dessa trend.
