Sempre me surpreende quando um livro de não-ficção me prende tanto! Principalmente em casos em que o conteúdo é técnico, repleto de dados e pesquisas.
E foi justamente o que aconteceu com “As Flores do Bem – A ciência e a história da libertação da maconha”, de Sidarta Ribeiro. Me vi completamente imersa na leitura, do início ao fim.
Com um texto fluido, contando diversos casos e colocando muito de si, Sidarta mostra ao leitor os inúmeros benefícios da maconha em tratamentos de saúde e, como políticas de liberação só tem a melhorar a qualidade de vida de inúmeras pessoas.
A relação de Sidarta com essas flores começou como a de tantas pessoas: medo, estereótipos sobre vício e criminalidade. Foi somente quando se viu em um estudo sobre o uso medicinal que começou a realmente desmistificar a planta.
Eu já tinha lido e ouvido coisas acerca do uso medicinal da maconha, mas nunca me aprofundei muito no assunto, por isso fiquei tão fascinada sobre os resultados aqui apresentados. E para além disso, fiquei impressionada com a rede que é necessário se criar, especialmente das mães de crianças que fazem uso da cannabis em inúmeros tratamentos, para ter acesso a planta e poder extrair o óleo em segurança. Passam por verdadeiras batalhas para conseguir a autorização e depois ainda tem todo o processo até conseguir a planta.
O processo dos primeiros pesquisadores para terem acesso à planta de forma legal foi algo que também me surpreendeu muito! Um estudo que poderia ter se iniciado muito antes, ter sido atrasado por burocracias e dificuldades sem tamanho.
É o tipo de livro, de informação, que todos deveriam ter acesso, sejam pessoas que fazem uso da cannabis da forma que for, sejam pessoas que tem algum preconceito com ela, mas principalmente pessoas que têm o poder de decidir sobre políticas públicas que podem facilitar o acesso a quem precisa.
