Em “1968, Centelhas sob palha seca”, do Edvaldo Silva, temos um romance que se passa em uma Paris envolta pelos protestos estudantis de 1968 e em um Brasil em meio a ditadura.
Beatriz e Thierry são dois jovens, ela, uma brasileira, branca, filha de diplomata. Ele, negro, filho de músico, da Costa do Marfim. Se conhecem e se apaixonam em uma visita que ele faz a universidade que ela estuda e logo se juntam aos movimentos estudantis. A meu ver, esse juntar-se aos movimentos, acabou mais se dando por uma vontade de estar com os amigos do que por acreditar nos ideais defendidos ali, isso eles construíram com o tempo.
Em um dado momento, Beatriz precisa voltar ao Brasil com o pai e Thierry se junta a eles. Ali, seguem com os ideais de fazer parte de algo maior e se veem em grupos de resistência contra a ditadura.
Gostei da forma como o autor inseriu fatos e personalidades históricas na trama, envolvendo os personagens ficcionais de forma crível. Gostei também da parte final, por mais que esperasse outro desfecho, dado o que foi o período da ditadura, achei que ele conseguiu deixar real.
Além das manifestações e do período do regime militar, Edvaldo aborda ainda o racismo. É um livro para quem gosta de doses de história, com pitadas de uma estória de amor.
Li “1968, Centelhas sob palha seca” em leitura coletiva organizada pela @lcagcomunicacao, de quem recebi essa cópia do livro. Obrigada, gurias! Sempre bom debater uma leitura com outras pessoas e ver as diferentes impressões que causam.
