Um quadrinho carregado de nostalgia, mas que conta uma história diabólica e genial! Assim é “O Efeito He-man – como a indústria dos brinquedos moldou sua infância pelo consumo”, de Brian “Box” Brown”, publicado pela @editoramino, com tradução de Dandara Palankof.
Em mais um quadrinho de não-ficção, Box Brown vai fundo na origem de He-man, partindo da história da televisão e história dos brinquedos. Como publicitária, achei esse quadrinho uma aula de marketing e história da comunicação, uma história um tanto diabólica? Sim! Mas uma história genial.
O Efeito He-man inicia com um apanhado geral sobre a história das propagandas e sobre como Edward Bernays na década de 1920 revolucionou essa indústria.
Intercalando com pinceladas sobre Disney e lei do domínio público, com o efeito da nostalgia, Box Brown chega a história da TV e sobre como a programação para o público infantil teve seu início e como a indústria da propaganda passou a pensá-la não para entreter os jovens, mas para despertar o desejo das crianças e vender brinquedos aos pais. Muitos dos personagens conhecidos e queridos por toda uma geração tiveram sua criação primeiro pensada nos brinquedos e, depois, seus gibis e desenhos criados, como uma publicidade disfarçada para a venda desses brinquedos.
Muitos protestos surgiram, de pais, educadores e profissionais ligados à infância, mas a indústria por trás sempre encontrou um jeitinho de burlar, ou até mesmo mudar, as leis.
Como eu já havia assistido a série Brinquedos que marcaram época, achava que talvez não encontrasse muita informação nova aqui, mas o autor aprofunda e amplia aquilo que é apresentado na série de forma muito densa e interessante. Ele inclusive cita passagens da série no quadrinho.
Acredito que esse seja um livro que agregue muito para quem estuda Comunicação. Nas cadeiras de ética e psicologia, por exemplo, pode contribuir e muito com a discussão do papel do profissional de publicidade e marketing, sobre até onde devemos ir para vender um produto e o que é passível de ser sacrificado nesse caminho. Os efeitos de uma geração moldada por essa publicidade tão agressiva na TV estão sendo vistos hoje, mas nos 30 anos que se seguiram a isso, muita coisa mudou (algumas para pior, inclusive). Por mais que hoje a publicidade não possa ser direcionada para crianças e conteúdos infantis na TV e revistas não possam ter propaganda, na internet isso ainda não está definido e a forma que as crianças têm acesso a esse tipo de comunicação hoje é muito mais agressiva.
Recomendo demais a leitura, seja para quem quer reviver a nostalgia de um personagem querido, para quem gosta de história ou para quem é profissional da comunicação.
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